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Como se comportar na entrevista de emprego

Confira dicas de um especialista em seleção sobre como se comportar em diversas situações de uma entrevista de emprego

entrevista

Você foi selecionado para a tão esperada entrevista! Revisou seu CV, imprimiu uma cópia para entregar ao entrevistador, está vestido(a) adequadamente, estudou sobre a empresa e revisou mentalmente as principais perguntas que precisa saber responder. Agora, só falta um detalhe: como se comportar na hora da entrevista. Devo cumprimentar o entrevistador formal ou informalmente? Posso gesticular? Saio falando tudo para mostrar preparo ou espero o entrevistador perguntar?

A redação do Guia da Carreira foi conversar com um especialista em entrevistas de seleção para responder a essas dúvidas. Júlio Jota é gerente para TI e Vendas da consultoria especializada em recrutamento Page Personnel e explicou como se comportar na entrevista de emprego, com dicas que valem para qualquer área ou posição. Confira dez dicas a seguir!

1. Pontualidade

É básico, mas não custa reforçar: programar-se para chegar no horário combinado para a entrevista é fundamental. Mas e se algo der errado? O que fazer se acontecer algum imprevisto e você não conseguir chegar na hora? Melhor desistir ou chegar atrasado mesmo sem falar nada?

Júlio conta que os entrevistadores sabem que contratempos podem acontecer, principalmente nos grandes centros. A dica é avisar com a maior antecedência possível que vai atrasar (vale para pequenos e grandes atrasos), demonstrando cuidado e respeito com o entrevistador. “Essa atitude também vai ser avaliada”, explica.

2. Esperando na sala

Seja na recepção ou na sala onde acontecerá a entrevista, não precisa parecer um robô: sente-se confortavelmente, mas sem exageros! O corpo fala e, nessa hora, você quer demonstrar interesse e energia.

Fique bem acomodado e confortável, sem parecer que está jogado no sofá da sua casa. E por mais que a ansiedade com a entrevista seja grande, fique sentado(a). Andar de um lado para o outro, bater o pé ou roer as unhas são atitudes que não vão ajudar em nada, além de demonstrarem pouco controle emocional.

3. Chegou o entrevistador

Você está sentado na sala de entrevista e chega o entrevistador. Qual o jeito certo de cumprimentar? Vale um aceno com a cabeça? Um “oi” discreto, para manter a distância e não parecer animado demais?

A dica do nosso especialista é bem objetiva: “Sempre levante quando o entrevistador entra. Quando o candidato não se levanta, isso pode ser interpretado como falta de empatia ou de educação.”
Levante-se e cumprimente o entrevistador com um aperto de mão firme (não precisa esmagar a mão, mas não vale aquele aperto de mão frouxo e desanimado). Júlio explica que o entrevistador quer sentir “uma energia positiva, um sinal de que o candidato está feliz por aquele momento.” Portanto, na hora de cumprimentar o entrevistador, mostre um sorriso, uma fisionomia aberta e receptiva, olhe no olho e crie uma conexão com a pessoa que vai conduzir a entrevista.

4. Estou nervoso(a). Posso dizer isso para o entrevistador?

“Dependendo da posição, se o candidato estiver muito nervoso já pode estar fora do processo”, comenta Júlio. Ele explica também que normalmente os entrevistadores tentam deixar o candidato à vontade pelo menos uma vez. Caso pergunte “Você está nervoso?” (e você estiver), pode dizer que está um pouco, mas não estenda o assunto nem ache que com isso tem uma desculpa para agir de qualquer jeito. A chave aqui está em procurar se recompor rapidamente e mostrar que tem controle emocional.

5. Durante a conversa

Como agir durante a entrevista? Mostrar que está preparado e seguir seu próprio roteiro ou contar com o improviso e pensar no que deve ser respondido somente quando for perguntado?

De acordo com Júlio, nem uma coisa nem outra. O melhor é demonstrar que está aberto e preparado, mas deixar o entrevistador conduzir a conversa e ter flexibilidade para se adaptar. E o jogo de cintura vale também para o estilo da conversa.

Se as perguntas se tornarem mais agressivas e desafiadoras, mantenha a calma e responda objetivamente. Pode ser que o entrevistado esteja testando como você se comporta sob pressão. E se o entrevistador for para o outro extremo, chamando você pelo apelido, usando gírias e parecendo estar bem à vontade, a dica do especialista é adaptar-se sem virar “amigo íntimo”.  Você pode sorrir, mas continue a chamar o entrevistador pelo nome e evite palavrões, mesmo que o entrevistador os use.

Ao falar sobre sua experiência, Júlio recomenda “começar do macro para o micro”, demonstrando ter uma linha clara de raciocínio. Você pode, por exemplo, começar falando brevemente o que a empresa faz e em qual setor da economia atua. Em seguida, fale em qual departamento trabalhou, qual sua função e, então, qual foi o seu diferencial. Imagine que está respondendo a estas perguntas básicas: O quê? Como? Por quê? Qual o resultado?
Exemplificar com números e resultados qualitativos também  conta pontos nessa hora e Júlio avisa que “se não for pedido, não é preciso levar apresentações e  relatórios”.

6. Será que vai dar tempo de falar tudo?

Na dúvida, pergunte. “Caso o entrevistador não fale quanto tempo vai durar a entrevista, é inteligente o entrevistado perguntar quanto tempo ele tem. Sabendo a regra do jogo, fica mais fácil adaptar o discurso ao tempo disponível”, recomenda Júlio.

7. Posso gesticular?

Durante nossa conversa com o especialista em recrutamento e seleção, as expressões “naturalidade” e “bom senso” surgiram várias vezes. “Um dos segredos da comunicação como um todo, e que vale para uma entrevista, é a naturalidade. Você não pode tentar ser uma coisa que não é, senão já começa mal. O entrevistador vai perceber isso”, avisa Júlio.

Ele diz que é positivo gesticular, demonstrar emoção na hora certa, mostrar que sente orgulho do que conquistou. O segredo é equilibrar naturalidade com bom senso, sem exagerar.

8. Pega bem fazer perguntas no final?

Júlio comenta que fazer algumas perguntas sobre a vaga e o momento da empresa (caso o entrevistador não tenha comentado) mostram que o candidato está interessado. Perguntas como quais são os desafios daquela oportunidade, se é uma posição nova ou reposição de alguém que saiu e quais os próximos passos do processo podem pegar bem.

Já perguntas básicas sobre o que a empresa faz (espera-se que o candidato saiba), ou indagar sobre salário e benefícios antes mesmo de saber se foi selecionado não pegam nada bem.

E perguntar como foi seu desempenho na entrevista? Nesse caso, Júlio recomenda cautela. Perguntar “E aí, você acha que eu fui bem?” denota insegurança e vale, no máximo, para quem está disputando uma vaga de estágio.

Mas perguntas específicas sobre a seleção estão liberadas. Você pode, por exemplo, dizer ao entrevistador: “Não sei se você pode comentar, mas gostaria de um feedback seu com relação à  vaga, queria entender se o meu perfil se encaixa na posição”. Nesse caso, Júlio reforça que é importante aceitar a resposta e agradecer, sem fazer justificativas ou insistir.

9. O que dizer na despedida

Ufa, acabou a entrevista!

Será? Lembre que a sua postura está sendo avaliada do começo ao fim e não custa nada ser educado(a). Júlio recomenda despedir-se do entrevistador com o mesmo cuidado do início: “cumprimente firme, olhe no olho e agradeça pela oportunidade”.

10. Dicas Bônus: Chiclete, celular e outras escorregadas

“Não ir para a entrevista de qualquer jeito, encarar a conversa como um momento especial e estar ali por inteiro, de corpo e alma” são algumas das recomendações gerais do especialista sobre como se comportar na entrevista de emprego. Júlio cita mais algumas:

  • Desligue o celular…

… e esqueça que ele existe. Se tiver um caso muito especial, avise o entrevistador logo no início. Diga, por exemplo: “Posso pedir um favor? Estou com um problema com meu filho, ele está no hospital, e talvez eu precise atender o celular. Tudo bem?”

Esqueceu de desligar e o celular tocou no meio da entrevista? Não precisa entrar em pânico. Júlio avisa que não é por causa desse incidente que o candidato será eliminado e diz como lidar com a situação: “Desligue o aparelho imediatamente, peça desculpas e aja com naturalidade, como se não tivesse acontecido.”

  •  Chicletes, piercings e tatuagens

Na opinião de Júlio, é melhor tirar os piercings e evitar mostrar as tatuagens na entrevista. E avisa que mascar chicletes nunca pega bem, nem para vagas em lugares mais informais.

  • Aparência

Outra dica básica que não custa lembrar é cuidar da aparência. Júlio resume: “não use muito perfume, esteja com os dentes escovados, de banho tomado e bem vestido”.

Veja também:

5 perguntas que você precisa saber responder na entrevista de emprego

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