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O Fordismo e a Revolução da Administração de Empresas

O Fordismo, idealizado por Henry Ford, revolucionou a administração de empresas ao permitir produtos mais baratos e em maior quantidade. Saiba mais!

Fordismo, Administração de Empresas e a Indústria de Automóveis do Início do Século 20

Fordismo: Lançando as bases para a gestão e administração de empresas modernas

Henry Ford, nascido na cidade Americana de Springwells, em 30 de Julho de 1863, foi um empresário à frente do seu tempo.

Ao contrário dos outros empresários de administração de empresas da época, Ford sempre viu o consumo da população como forma para trazer o bem estar social.

Idealizador do Fordismo e fundador da Ford Motor Company, em 1903 (aos 40 anos de idade), Ford certa vez afirmou:

“O dinheiro é a coisa mais inútil do mundo; não estou interessado nele, mas sim no que posso fazer pelo mundo com ele.” E assim fez durante toda a sua vida.

A teoria do Fordismo era revolucionária para a época, pois pela primeira vez o bem estar social foi levado em conta para se atingir o sucesso financeiro.

Para poder ganhar mais dinheiro, Ford desenvolveu um sistema no qual pagava melhor os empregados e também vendia produtos mais baratos.

Mas, segundo os conceitos básicos da administração de empresas, aumentar os custos (pagar melhor os funcionários) e reduzir o valor de venda dos produtos não traria justamente o prejuízo? Sim! Mas essa era justamente a questão chave: no Fordismo, o lucro não vem da venda de produtos caros e luxuosos, mas da venda de produtos baratos, simples e que todos podem comprar. O lucro, para o Fordismo, deve vir da quantidade de produtos vendidos.

Esse conceito, a produção em escala industrial, passou a ser a base da administração de empresas e da indústria mundial a partir de então.

Antes da introdução do Fordismo, no início do século 20, a indústria de automóveis era voltada para o público rico. Os automóveis eram um artigo extremamente raro e luxuoso que somente os ricos poderiam ter: eles custavam o preço de uma casa e exigiam uma manutenção caríssima também.

Como poucos eram vendidos, não havia estímulo para a evolução tecnológica do produto. Os automóveis do início do século 20, época em que Ford fundou a sua empresa, eram praticamente os mesmos de 50 anos atrás.

Foi nesse cenário que Ford visualizou a sua grande chance de se destacar na administração de empresas e mudar para sempre o mundo ocidental.

A fundação da Ford Motor Company e o início do Fordismo

Henri Ford: Suas teorias mudaram para sempre o modo de administrar empresas

Em 1903, com alguns dólares no bolso (28 mil dólares, pra ser mais exato) e umas boas ideias na cabeça, Ford fundou a Ford Motor Company com mais 11 investidores que acreditaram em sua teoria.

Para demonstrar que carros de alta qualidade tecnológica poderiam ser produzidos a um preço baixo (um dos princípios do Fordismo), um protótipo produzido pela Ford Motor Company bateu em 1904 o recorde de velocidade terrestre, então andando 1 milha (aproximadamente 1,6 kilômetros) em 39,4 segundos (quase 140 quilômetro por hora!)

Assim que iniciou as atividades da sua montadora de carros, uma das primeiras medidas de Ford foi pagar 5,00 dólares por dia aos seus funcionários (pagar bem aos funcionários era outro princípio básico do Fordismo).

Apesar de parecer pouco para os dias de hoje, na época os especialistas em administração de empresas ficaram assustados: ninguém nunca havia oferecido um salário tão alto para um operário de fábrica!

Por pagar bem aos empregados, aconteceu um fato interessante: os melhores mecânicos e profissionais de engenharia mecânica dos Estados Unidos acabaram todos indo para a Ford Motor Company. Isso aumentou muito a capacidade tecnológica da empresa e permitiu que em poucos anos eles já estivessem lançando os melhores carros da América (superioridade tecnológica para baixar custos, outro princípio do Fordismo).

O projeto de uma fábrica segundo o Fordismo

Segundo a concepção Fordista, a fábrica deve seguir o modelo de administração de empresas vertical. Em outras palavras, tudo deve pertencer ao mesmo dono e ser controlado de maneira centralizada.

Quando construiu a Ford Motor Company, Henry Ford projetou uma fábrica gigantesca: basicamente, de um lado entravam as matérias primas (borracha, aço, ferro, madeira, vidro) e do outro saiam carros prontos. Tudo era fabricado no mesmo local e seguindo uma ordem lógica específica.

Os motores, os pneus, o estofamento, tudo era fabricado dentro de um mesmo espaço. Do ponto de vista da administração de empresas, a visão do Fordismo é interessante porque permite um maior controle, mas também tem as suas desvantagens.

De acordo com a teoria da Administração de Empresas, quando se controla o processo todo, em geral, perde-se em eficiência: uma indústria que fábrica pneus, motores e estofamentos não pode ser mais eficiente que uma fábrica especializada em motores, por exemplo.

Outra concepção importante do modelo de fábrica do Fordismo era a linha de produção. Embora o conceito de linha de produção já existisse há um tempo e fosse bem conhecido pelos administradores de empresas da época, foi Henry Ford que aperfeiçoou e aplicou com sucesso esse conceito pela primeira vez.

Na fábrica Fordista, não são os operários que precisam ir atrás do trabalho. É o trabalho que vem até eles.

Os funcionários praticamente não precisavam se mexer. As peças e componentes iam andando sobre esteiras e os funcionários ficavam parados trabalhando em pequenas funções bem específicas.

Segundo a teoria do Fordismo, fazendo trabalhos pequenos e bem específicos os funcionários produziriam mais, já que ficariam extremamente treinados em sua função e não precisariam se preocupar com mais nada.

Modelo de fábrica ideal para o fordismo

De modo resumido, a fábrica ideal para o Fordismo tinha as seguintes características de trabalho e administração de empresas:

  • A fábrica deveria ser grande e centralizada, produzindo todos os componentes necessários para a montagem do produto.
  • Os produtos fabricados deveriam ser simples e de fácil fabricação, assim poderiam ser fabricados em grande escala e a um preço baixo.
  • Os funcionários deveriam trabalhar de um modo bem específico, fazendo apenas uma única função.
  • Os funcionários deveriam ganhar bem e ser valorizados para aumentar a motivação e produzir mais.

Aplicando à risca esses conceitos de administração de empresas, Henry Ford conseguiu acumular uma das maiores fortunas do início do século passado, além de produzir mais de 20 milhões de carros até 1930, contribuindo para que o automóvel se tornasse um dos símbolos do mundo Ocidental.

A superação do fordismo por novas teorias de Administração de Empresas

O auge do modelo do Fordismo se deu nas décadas de 1950 e 1960. Nesta época, diversas outras indústrias copiaram este modelo. A própria General Motors e a Volkswagen, concorrentes da Ford, cresceram aplicando os conceitos do Fordismo.

No entanto, a rigidez e a lógica do modelo Fordista, que eram o seu ponto forte, foram também o motivo da sua decadência: os consumidores já não se contentavam mais com a rigidez dos modelos padronizados dos modelos de carros Ford.

Em 1970, a General Motors assume a liderança do mercado de carros fabricando automóveis mais chamativos, coloridos e variados. A GM também começou a aplicar novos conceitos de administração de empresas, tais como a descentralização, o que diminuiu o burocracia e os custos.

Nesta época, o Fordismo, com a sua produção industrial simples e massificada, passam a ser substituídos pela produção industrial enxuta e administração de empresas baseadas na eficiência. Apesar de ser a base de grande parte das teorias de administração de empresas modernas, o Fordismo em sua forma original já não é aplicado nas empresas dos dias de hoje.

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