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Provas Unificadas – Problemas ou Soluções?

As vantagens e desvantagens na utilização de provas unificadas para o processo de admissão nas instituições de ensino superior no brasil.

A educação em nível superior teve grande desenvolvimento, sobretudo nos processos de admissão. Porém, toda mudança causa sempre grande polêmica criando grupos favoráveis e desfavoráveis as mesmas. De um lado, temos a opinião dos alunos e as dificuldades que os mesmos enfrentam na maratona de escolher as instituições de ensino superior de sua escolha, fazer testes vocacionais, conversarem com profissionais da área e por fim realizar as provas dos vestibulares. Do outro lado, temos as instituições de ensino superior que necessitam de grande organização na elaboração, aplicação e seleção dos alunos. Muitas delas são responsáveis por todo o gerenciamento das gráficas na elaboração das provas e nos demais critérios de segurança para evitar fraudes.

Em linhas gerais, percebe-se a vantagem econômica ao efetuar um processo unificado. Com a centralização do processo de elaboração das provas, produção em larga escala e gerenciamento federal na aplicação das mesmas é possível verificar as vantagens. Obviamente que em um universo utópico e otimista este com certeza é um caminho super vantajoso. Porém, há sempre grandes problemas, sobretudo na credibilidade e segurança na elaboração e aplicação das provas. A fraude com certeza é um forte inimigo neste processo.

Mas seguindo uma linha de raciocínio otimista, levando em conta que países de primeiro mundo utilizam processos unificados e os problemas, quando ocorrem, são pontuais, há também outros pontos a serem considerados. Como exemplo, vamos focar na prova do ENEM e no processo de unificação dos vestibulares com ela e com o SISU. O processo de unificação garantindo que brasileiros em qualquer parte do Brasil possam testar seus conhecimentos concorrendo no mesmo nível e fazendo a mesma prova que todos os demais é fantástico (salvo que a educação base não tenha os mesmos investimentos e garanta o mesmo preparo). Há uma grande facilidade aos alunos de diversas partes do Brasil a fazerem cursos superiores fora de seu próprio estado. Antes da unificação era comum vestibulares com provas “bairristas” que favorecia a comunidade local, não mantendo um nível democrático nas questões e favorecendo os cursinhos locais. Desta forma, muitos estudantes vinham de longe para fazer cursos preparatórios próximos a tais centros para viabilizar chances equivalentes e conquistar uma vaga no ensino superior como tanto almejavam. Mas nem tudo são flores, algumas universidades vem sofrendo de um efeito colateral deste processo “democrático”.

Entendam a vida de um jovem estudante, longe de casa, iniciando um nova etapa da vida (que em alguns casos, nem seus pais tiveram a mesma oportunidade) em um universo totalmente novo e possivelmente bem diferente da sua cultura local. Nem todos os estudantes possuem maturidade necessária, ou mesmo entendem o processo de início de um curso superior. O apoio familiar é muitas vezes um pilar de sustentação para estes jovens que sofrem muito com a distância. Em outros casos, a mudança de jovens de grandes centros badalados para cidades menores também causa grande desconforto. É uma mudança muitas vezes drástica e nem todos estão preparados para tal. Este com certeza é um ponto desfavorável e que algumas universidades vem sentindo, muitos alunos que iniciam um curso superior e que muitas vezes “caem de paraquedas” desistem do curso antes de completar um semestre, ou mesmo o ano. E qual a real desvantagem? Turmas defasadas, diminuindo o número de formandos por ano, perda de oportunidade, sendo que outros alunos na lista de espera moradores locais ou mais maduros poderiam já estar iniciando seu curso escolhido, porém por não estarem tão bem preparados não tiveram a oportunidade.

Mas como solucionar tais eventualidade das provas unificadas?

A base da solução da maioria dos problemas: Informação! É sempre interessante investir em informação, esclarecer e instruir as idéias e aspirações dos alunos. Ter apoio psico-pedagógico dentro do campus universitário também é essencial.

Obviamente que mesmo assim irá ocorrer desistências, o que fazer com elas? As universidades podem adotar também admissão semestral afim de preencher vagas de desistência com alunos da lista de espera do vestibular anual. Há diversas abordagens positivas, sendo interessante que cada instituição de ensino superior pesquise quais os motivos de desistência.

A integração da universidade com os alunos também é uma prática fantástica. Iniciar projetos de iniciação científica logo no início do curso, participar de grupos de desenvolvimento, diretório acadêmico, empresa jr., todas estas etapas são viáveis. Caso o problema do aluno é estar longe de sua família, basta que o mesmo sinta-se em casa novamente.

Estas provas unificados são utilizados em outros países?

Com certeza estas práticas são utilizadas em outros países, porém não são as únicas métricas para seleção dos alunos. Os processos de admissão variam muito em cada país e cultura, podendo utilizar as provas unificadas como o SAT (graduação), GRE e GMAT (pós-graduação) nos EUA, mas também contam com carta de recomendação, entrevista e proposta de projetos, entre outros. Como os processos de seleção unificada já são utilizados a muitos anos nestes países, a maioria dos efeitos colaterais iniciais já foram contornados/corrigidos. No Brasil ainda estamos em processo de transição, por isso ainda é enfrentado problemas pontuais, que com certeza serão erradicados em um futuro próximo.

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