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Usina de Belo Monte: energia ou impacto ambiental?

Entenda a polêmica instalada em torno da maior usina hidrelétrica 100% brasileira!

Hidrelétrica

A usina hidrelétrica de Belo Monte já nasce com o título de quarta maior do mundo e a maior 100% brasileira (a usina de Itaipu é metade brasileira, metade paraguaia). Também ostenta o título de obra mais cara em andamento no País, com um orçamento que já supera os R$ 30 bilhões!

Instalada no interior do Pará, no rio Xingu, é um empreendimento gigantesco, capaz de gerar energia suficiente para abastecer, sozinha, 40% de todas as residências brasileiras!

Tudo isso está acontecendo debaixo de uma questão séria: o impacto ambiental e social causado pela construção da hidrelétrica, que pode comprometer uma das regiões com maior biodiversidade do Brasil.

A usina, programada para começar a operar no segundo semestre de 2015, ainda está parada, aguardando permissão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para funcionar.

Enquanto isso, segue a guerra entre ambientalistas, governo e empresários sobre a usina.

Na luta entre o progresso e a preservação ambiental, o que você acha que deve ser feito? Quais as medidas cabíveis para fazer de Belo Monte um projeto mais sustentável? Quais políticas públicas poderiam ser criadas para evitar um desastre ambiental?

Entenda por que a Hidrelétrica de Belo Monte tem gerado tantas discussões e por que é tão importante conhecer esse tema para se dar no Vestibular e no Enem!

Entenda a polêmica em torno de Belo Monte

A Usina de Belo Monte é um projeto antigo, que começou a ser desenhado em 1975. Desde o planejamento inicial até a conclusão das obras, 40 anos depois, continua cercada de muita polêmica.

Nesse meio tempo, devido à pressão de ambientalistas e povos indígenas, o projeto foi refeito muitas vezes. O ideia original acabou sendo reduzida para tentar agradar a gregos e troianos.

Não deu muito resultado.

Junto com o início das obras, em 2011, veio uma grande comoção nacional. Artistas, personalidades, ambientalistas e organizações não governamentais uniram-se numa grande campanha contra a construção do empreendimento e reacenderam o debate sobre progresso versus preservação ambiental.

Entenda o ponto de vista de cada um dos lados:

Pontos contra a construção de Belo Monte:

  • A hidrelétrica vai comprometer o escoamento natural do rio, o que pode afetar gravemente a flora e a fauna local.
  • A obra pode destruir igarapés que cortam cidades importantes do interior do Pará, como Altamira e Ambé.
  • Áreas de agricultura de pequeno porte serão inundadas. Muitos produtores já perderam seu chão.
  • Também pode comprometer o transporte fluvial em algumas áreas e isolar totalmente centenas de comunidades ribeirinhas.
  • O alagamento permanente de áreas deverá destruir milhões de árvores e comprometer a vida de muitas espécies de peixes.
  • O projeto pode aumentar a pressão por desapropriação de terras indígenas, protegidas por lei.
  • Especialistas dizem que as outras usinas hidrelétricas do Brasil são subutilizadas e que a otimização das existentes poderia dispensar a construção de uma obra tão danosa ao meio ambiente.

Pontos a favor da usina de Belo Monte:

  • Com um potencial gerador de 11,2 mil MW, a usina pode fornecer energia suficiente para abastecer 60 milhões de pessoas e colocar o Brasil em uma privilegiada posição de segurança energética.
  • A energia hidrelétrica é considerada uma fonte limpa, ambientalmente correta.
  • A obra pode ajudar a desenvolver as cidades localizadas no entorno da usina e melhorar a vida dos moradores.
  • A usina atende à crescente necessidade de energia elétrica no País. Ou seja: é um projeto para o futuro, especialmente para os habitantes da região Norte.

O impacto social gerado por Belo Monte

Outra consequência importante da construção da usina de Belo Monte tem sido o impacto social causado nas cidades ao redor. Com a chegada de milhares de trabalhadores para atender à demanda de mão de obra para uma construção desse porte, as cidades mais próximas, como Altamira, viram sua população crescer mais de 50% em cinco anos!

O resultado disso foi um caos social sem precedentes: aumento no número de assassinatos e acidentes de trânsito, superlotação de hospitais, crise de moradia, aumento do custo de vida, etc.

Outra questão decorrente da obra é o deslocamento de populações inteiras que habitavam as áreas que seriam alagadas. Mais de 30 mil pessoas perderam suas casas – muitas das quais não foram indenizadas por isso.

É fato que, por outro lado, muitas famílias também melhoraram de vida. Foram retiradas de palafitas e lixões e reassentadas em casas de alvenaria entregues pelo consórcio que cuida da obra da usina, como parte do acordo com o Governo Federal.

A construção da usina envolve a mão de obra direta e indireta de 40 mil trabalhadores. Muitos deles deverão se dispensados conforme a construção vai chegando ao fim. O que será feito dessas pessoas? Para onde elas irão? Se a maioria resolver se estabelecer nas cidades próximas, sem emprego, isso pode agravar ainda mais o caos social. A empreiteira responsável promoverá cursos de readequação e capacitação, mas não se sabe se todos os trabalhadores dispensados encontrarão trabalho com facilidade.

Outras fontes

O Brasil tem potencial para explorar outras fontes de energia limpa além da hidrelétrica.

É o caso, por exemplo, da energia eólica e da biomassa do bagaço de cana. Saiba mais:

  • A energia eólica utiliza a forças dos ventos para gerar eletricidade. Cresceu muito nos últimos anos, mas ainda responde por apenas 3% do total gerado no País. É uma fonte interessante porque não depende das chuvas, como a hidrelétrica. Por isso, a região Nordeste – que historicamente vivencia períodos longos de seca – é campeã na produção desse tipo de energia.
  • O Brasil, por ser um grande produtor de cana-de-açúcar, poderia aproveitar melhor as capacidades energéticas desse produto. O bagaço, a palha e o caldo da cana são excelentes fontes de bioenergia e poderiam contribuir mais efetivamente para o potencial energético brasileiro.

Por que é importante saber de tudo isso?

A crise energética mundial – e a consequente busca por fontes alternativas – é um assunto importantíssimo, que se mantém firme e forte nas pautas de discussão dos principais vestibulares e processos seletivos do País.

Belo Monte é um tema sensível a pelo menos três pontos chave da política de desenvolvimento brasileira: o aspecto social, econômico e ambiental.

Ou seja: pode ser tema de redação, pode ser assunto de alguma questão objetiva ou discursiva. O importante é que você esteja bem informado e saiba apresentar fatos e argumentos (contra e a favor) sobre assuntos dessa relevância.

Veja também:

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