Como resolver conflitos entre funcionários: roteiro para o gestor

Para resolver conflitos entre funcionários, ouça cada pessoa separadamente, esclareça o que foi dito ou feito, avalie se uma conversa conjunta é apropriada e registre comportamentos combinados com data de revisão. Diante de relato ou indício de assédio, discriminação, ameaça ou retaliação, encaminhe ao RH ou ao canal responsável, conforme a política interna, sem exigir conversa conjunta prévia.
Essa sequência orienta a intervenção em atritos recorrentes de convivência e comunicação na mesma equipe. Ela organiza a escuta, os compromissos e o acompanhamento, sem garantir que o conflito termine nem antecipar conclusões sobre os envolvidos.
Em resumo:
- Comece por conversas individuais para ouvir as versões e esclarecer os relatos.
- A conversa conjunta exige preparo e disposição para participar; não é obrigatória.
- Registre comportamentos observáveis, responsáveis e uma data de revisão.
- Encaminhe sinais de conduta grave conforme a política interna, sem mediação prévia.
- No acompanhamento, compare os compromissos com situações observadas e relatadas.

Antes de intervir, identifique o tipo de problema

Verifique a recorrência, o assunto do atrito e os sinais de conduta grave antes de escolher o encaminhamento:
- É recorrente? Em um episódio pontual e de baixo impacto, avalie a necessidade de intervenção formal. Isso não dispensa acolher o relato nem encaminhar sinais de conduta grave. Se o comportamento se repete ou afeta o trabalho, organize a intervenção.
- O problema é de convivência? Interrupções, comentários hostis e respostas atravessadas entre pessoas são o foco aqui. Divergências sobre prioridades entre departamentos pedem alinhamento entre áreas, não apenas uma conversa sobre relacionamento.
- Há sinais que exigem outro encaminhamento? Relatos de ameaça, humilhação por característica pessoal, perseguição ou represália não devem ser tratados apenas como desentendimento. Consulte o RH ou o canal responsável conforme a política interna.
Ouvir sem tomar partido antecipadamente não significa presumir responsabilidade equivalente entre as pessoas nem minimizar um relato grave. Se você tem proximidade pessoal com uma das partes, como ao liderar ex-colegas de trabalho, aplique os mesmos critérios a todos os envolvidos.
Passo 1: ouça cada pessoa separadamente

Comece com conversas individuais, em local reservado e com tempo para ouvir. Antes delas, organize suas perguntas e evite decisões impulsivas, especialmente se as emoções estiverem altas. Reconhecer e gerenciar as próprias emoções, base da inteligência emocional, ajuda a manter a escuta neutra.
Uma abertura possível: “Quero entender o que está acontecendo e ouvir as pessoas envolvidas antes de definir o encaminhamento”. Não prometa sigilo absoluto: explique que o relato poderá precisar ser compartilhado com o RH ou com o canal responsável, conforme a política interna.
Ouça sem interromper, ironizar ou demonstrar desdém. Acolha o impacto relatado sem confirmar suposições sobre a intenção da outra pessoa. Use perguntas como:
- “O que aconteceu? Descreva a última situação.”
- “O que foi dito ou feito? Em que contexto?”
- “Como isso afeta seu trabalho?”
- “O que mais preocupa você nessa situação?”
- “Que outras situações semelhantes você lembra, se houver?”
- “O que precisaria mudar na forma como vocês trabalham juntos?”
Nas anotações, diferencie as palavras da pessoa das suas observações. Registre apenas o necessário, conforme a orientação interna. Essa escuta de convivência não substitui o procedimento de apuração previsto pela organização; relatos graves seguem para orientação do RH ou do canal responsável.
Passo 2: separe descrições de interpretações
Diferencie o que a pessoa relata ter visto ou ouvido daquilo que concluiu sobre a intenção do colega. Acolha também sua interpretação e o impacto percebido. Para formular compromissos, identifique o comportamento que se espera observar.
Imagine uma situação hipotética em que Ana e Bruno, da mesma equipe, vivem atritos recorrentes. A tabela é um recurso para organizar a escuta, não um formulário oficial nem uma confirmação dos acontecimentos.
| Relato trazido | Descrição concreta a esclarecer | Pergunta que ajuda |
|---|---|---|
| “Bruno me corta de propósito.” | O relato de que Bruno começou a falar enquanto Ana ainda concluía uma frase. | “Em quais reuniões isso aconteceu? O que foi dito?” |
| “Ana me despreza e fala mal de mim.” | A mensagem que Ana teria escrito no grupo após uma fala de Bruno. | “Quais foram as palavras usadas? Qual era o contexto?” |
| “Ninguém aqui me respeita.” | As mensagens de Bruno que, segundo ele, ficaram sem resposta. | “Quais mensagens? Que resposta você esperava e por quê?” |
Resuma o que entendeu e peça confirmação: “Você relata que foi interrompida antes de terminar sua análise. Entendi corretamente?”. Procure a necessidade por trás do pedido: “Quero que ele pare” ainda exige esclarecimento; “Preciso concluir minha apresentação antes dos comentários” descreve uma expectativa mais específica, formulada de forma assertiva.
O guia de estilos e etapas de gerenciamento de conflitos do ClickUp recomenda perguntar o que aconteceu, ouvir as preocupações das pessoas e explorar seus interesses, em vez de apenas posições rígidas.
Passo 3: decida se a conversa conjunta é apropriada
A reunião conjunta não é uma etapa automática. Considere-a para tratar comportamentos de comunicação apenas se não houver sinais que exijam encaminhamento, existir disposição para participar e for possível preparar o encontro.
Antes de marcar, verifique:
- As pessoas estão dispostas a discutir como manter a relação de trabalho?
- Há situações concretas de comunicação para tratar?
- Existe tempo para explicar o objetivo e preparar a conversa?
Por prudência, não proponha o encontro diante de relato ou indício de conduta grave ou receio de represália. Consulte o RH ou o canal responsável, conforme a política interna, sem exigir mediação prévia.
Se alguém não quiser participar, não force nem atribua intenção à recusa. Pergunte o motivo. Sem sinais de conduta grave ou receio de represália, trate os comportamentos esperados individualmente e combine uma revisão com cada pessoa. Registre os compromissos sem apresentar como conjunto um acordo que não foi discutido por ambas.
Passo 4: conduza a conversa mediada
Na conversa conjunta, facilite a discussão de situações concretas e propostas de comportamento. Não transforme o encontro em um julgamento sobre quem é a melhor pessoa.
- Explique o objetivo e as regras. Uma pessoa fala por vez, sem interrupções nem ataques pessoais. O foco é combinar como trabalhar juntos.
- Ouça cada pessoa. Peça descrições de episódios e do impacto no trabalho, sem rótulos sobre o colega.
- Confirme o entendimento. Resuma cada relato e pergunte se compreendeu corretamente.
- Peça propostas. “O que você fará de diferente nessa situação?” Avalie a viabilidade de cada sugestão e como seu cumprimento será observado.
- Recapitule os compromissos. Confirme o que cada pessoa assumiu antes de registrar o acordo.
Retomando o exemplo hipotético de Ana e Bruno: se Bruno interromper Ana, intervenha: “Bruno, espere um momento. Ana, conclua sua fala”. Retome a regra e devolva a palavra a quem estava falando.
Se, nesse cenário ilustrativo, Ana fizer um comentário hostil, interrompa o ataque: “Vamos tratar do que aconteceu, sem comentários sobre a pessoa”. Peça a descrição do episódio. Se os ataques continuarem, pause a reunião. Diante de ameaça ou sinal de assédio, discriminação ou retaliação, encerre a mediação e siga o encaminhamento interno.
Passo 5: feche acordos observáveis

Um acordo observável descreve o comportamento esperado e a situação em que ele será acompanhado. “Vamos nos respeitar” deixa sem definição o que cada pessoa fará.
No exemplo hipotético de Ana e Bruno, um compromisso mais específico seria: “Nas reuniões de equipe, cada pessoa conclui sua apresentação antes dos comentários da outra. Se ocorrer uma interrupção, quem conduz a reunião devolve a palavra a quem estava falando”.
Como sugestão de registro, adapte estes campos à política interna:
- Comportamento: o que cada pessoa fará ou deixará de fazer.
- Situação: onde o compromisso se aplica, como reuniões ou mensagens da equipe.
- Início: a partir de quando será acompanhado.
- Verificação: quais situações serão observadas e como serão discutidas na revisão.
- Data de revisão: quando o cumprimento será avaliado.
- Responsável pelo acompanhamento: quem fará essa verificação.
Os compromissos não precisam ser iguais. Defina a responsabilidade de cada pessoa sem presumir participação equivalente no problema. Leia o registro ao final e confirme se ele corresponde ao combinado.
A finalidade proposta é acompanhar os compromissos. Confirme com o RH o formato, a guarda, o acesso e eventual relação do registro com outros procedimentos internos.
Passo 6: acompanhe na data combinada
Na revisão, compare os compromissos com os comportamentos observados e relatados. Faça uma conversa breve com cada pessoa e pergunte:
- “Em quais situações o combinado foi cumprido?”
- “O que continua difícil? Descreva um episódio.”
- “Surgiu algum fato novo?”
- “O compromisso precisa de ajuste? Qual?”
Peça exemplos também ao ouvir percepções como “o ambiente continua ruim”, sem desconsiderá-las. Diferencie o cumprimento dos comportamentos combinados da avaliação mais ampla sobre a relação.
Sem sinais de conduta grave, esclareça um descumprimento isolado e avalie ajustes. Diante de repetição, consulte o RH e siga a política interna. A gravidade também importa: um primeiro episódio grave já exige encaminhamento, sem esperar reincidência.
Quando encaminhar ao RH e como comunicar
Encaminhe ao RH ou ao canal responsável, conforme a política interna, diante de relatos ou indícios de:
- assédio;
- discriminação;
- ameaças;
- retaliação contra quem relatou um problema ou participou de uma conversa;
- descumprimento reiterado dos acordos.
Receio de represália também pede consulta sobre o encaminhamento. Não espere reunir as pessoas nem concluir por conta própria se houve violação de regras. A conversa de convivência não substitui a análise prevista pela organização.
Registre o que foi relatado, distinguindo-o do que você presenciou. Inclua contexto, data informada e palavras relevantes, sem adjetivos ou conclusões. Siga as orientações internas de registro e acesso e consulte quem conduzirá a análise antes de buscar novos relatos ou confrontar a pessoa citada.
Uma frase-modelo: “Vou encaminhar o que você relatou ao canal responsável, conforme a política interna, sem antecipar conclusões sobre os envolvidos”. Informe o encaminhamento sem prometer resultado, prazo ou consequência.
Se o gestor estiver envolvido no relato, busque orientação no canal previsto para essa situação, em vez de conduzir a mediação. Na dúvida sobre a gravidade ou o fluxo, consulte o RH ou a instância responsável.
Perguntas frequentes sobre conflitos entre funcionários
Como resolver conflitos entre funcionários passo a passo?
Ouça separadamente, esclareça os relatos e avalie se a conversa conjunta é apropriada. Defina comportamentos observáveis, registre os compromissos e acompanhe na data combinada. Relatos ou indícios de conduta grave seguem para o encaminhamento interno, sem mediação prévia.
Como resolver conflitos no trabalho em equipe?
Trate os episódios sem expor as pessoas diante dos colegas. Pergunte o que foi dito ou feito e qual mudança de comportamento é necessária. Evite transformar o problema entre pessoas em uma discussão pública sobre suas personalidades.
Preciso conversar com os dois funcionários juntos?
Não. Considere o encontro apenas com disposição para participar, preparo e ausência de sinais que exijam outro encaminhamento. Não force a participação nem condicione a consulta ao RH à realização dessa conversa.
O que é um acordo observável e como registrar?
É um compromisso descrito por comportamentos verificáveis, como esperar a conclusão da fala antes de comentar. Registre situação, início, forma de acompanhamento, responsável e data de revisão. Adapte o registro e a guarda às orientações internas.
O que fazer se o conflito continuar depois do acordo?
Compare os episódios com os compromissos. Sem sinais de conduta grave, esclareça descumprimentos isolados e avalie ajustes. Diante de repetição ou de um episódio grave, consulte o RH e siga a política interna.
Quando devo encaminhar o conflito ao RH?
Diante de relato ou indício de assédio, discriminação, ameaça, retaliação ou descumprimento reiterado dos acordos, siga o encaminhamento previsto pela organização. Não exija conversa conjunta antes nem antecipe conclusões sobre os envolvidos.
Da escuta ao acompanhamento, com limites claros
A intervenção organiza o que foi relatado, define comportamentos esperados e estabelece uma revisão. A triagem determina o próximo passo: escuta individual nos atritos de convivência ou encaminhamento ao RH ou ao canal responsável diante de sinais de conduta grave.

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