Saiba quem foi Clarice Lispector, sua carreira, obra e toda história

Clarice Lispector (1920-1977) é uma das mais importantes autoras do Modernismo no Brasil. Marcou a literatura do século XX e escancarou ao mundo os cantos mais profundos da mente humana, em uma maestria com as palavras que conseguia sensibilizar o íntimo do cotidiano.

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clarice lispectorA escritora faz parte da terceira fase do modernismo brasileiro, chamada de “Geração de 45”. É contemporânea de outros autores, como Cecília Meireles e Vinicius de Moraes.

Seu impacto vai além das páginas escritas. Foi uma das primeiras mulheres a ganhar notoriedade por todo país – vale lembrar que Lispector nascera em um contexto no qual as mulheres nem podiam votar no Brasil.

Desconstruiu preconceitos e mostrou caminhos para tantas outras mulheres sonharem, entenderem a complexidade de seus pensamentos, tal como Clarice narra, e se libertarem para ocupar espaços.

A última entrevista de Clarice Lispector está registrada. O papo foi com o jornalista Júlio Lerner, para o programa “Panorama”, da TV Cultura, no dia 1 de fevereiro de 1977, ano de sua morte. Confira:

Quem foi Clarice Lispector?

Haya Pinkhasovna Lispector nasceu na aldeia de Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Era filha de Pinkouss e Mania Lispector, judeus que fugiram do país durante a perseguição da Guerra Civil Russa.

Acabaram em Maceió, Alagoas, onde morava Zaina, tia de Haya, que tinha apenas dois meses de idade. Ao atracarem em terras tupiniquins, todos da família mudaram de nome com medo de encalços. Haya passou a se chamar Clarice. Clarice Lispector.

Clarice passou sua infância na Boa Vista, em Recife. Aprendeu a ler e escrever muito nova e logo começou a escrever pequenos contos. Aos 12, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

Foi no ano de 1941 que Clarice entrou na Faculdade Nacional de Direito. A vida começava a bater em sua porta e logo se viu escrevendo para a “Agência Nacional” como ofício. Depois foi para o jornal “A Noite”. Em 1944, publicou seu primeiro romance: “Perto do Coração Selvagem”.

O romance provocou um verdadeiro espanto na crítica da época. Sua narrativa quebra a sequência de começo, meio e fim, assim como a ordem cronológica, e funde a prosa à poesia.

Em 1946, Clarice vai para Berna, Suíça. Publicou no pitoresco país “O Lustre” e, três anos depois, “A Cidade Sitiada”. Em 1959, volta ao Rio de Janeiro para trabalhar no “Jornal Correio da Manhã”, assumindo a coluna “Correio Feminino”.

Em 1960, assumiu a coluna “Só Para Mulheres”, do “Diário da Noite”, e lançou “Laços de Família”, um livro de contos que lhe rendera um Prêmio Jabuti. Em 1967 publicou “O Mistério do Coelhinho Pensante”, seu primeiro livro infantil, outra fase marcante de Clarice.

No ano seguinte publicou crônicas no “Jornal do Brasil”. Em 1977, Clarice Lispector escreveu “Hora da Estrela”, sua última obra publicada em vida. A autora faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, vítima de um câncer de ovário, um dia antes de seu aniversário.

Quais as principais obras de Clarice Lispector?

Clarice Lispector é daquelas autoras inconfundíveis. O íntimo do psicológico diante da banalidade do dia a dia é onde suas palavras encontram os tons mais ricos. Do âmago, a intimista Lispector penetra na penumbra da mente humana como ninguém. Às vezes com uma complexidade de invejar o poderio de escrita, às vezes com uma simplicidade de invejar mais ainda o jeito que consegue transcrever aquilo.

Tem na minuciosidade descritiva que lhe é característica e inigualável. Mas é sobre percepções – e como elas levam a uma epifania, aquela revelação com a qual a personagem passa a compreender algo de valor novo e ocorre uma ruptura. A epifania para Lispector não surge de um advento épico. Normalmente acontecem após eventualidades corriqueiras. 

Clarice Lispector escreveu diversos romances, contos e crônicas. Dentre esses gêneros, suas obras mais conhecidas são:

  • “Perto do Coração Selvagem” (1943)
  • “Laços de Família” (1960)
  • “A Legião Estrangeira” (1964)
  • “A Paixão segundo G.H.” (1964)
  • “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” (1969)
  • “O Ovo e a Galinha” (1977)
  • “A Hora da Estrela” (1977)

As famosas frases de Clarice Lispector

Clarice Lispector talvez seja a pessoa que ficou mais famosa com a internet pós-vida. Até o que ela não disse, as pessoas creditam à ela. É impressionante: basta ser intimista e profundo, que está lá: Clarice Lispector. Tamanho é ainda seu impacto – e tamanha é a desinformação na internet. É por isso que separamos algumas de suas mais famosas frases – e aqui são reais, de obras suas. Dá uma olhada: 

  • “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
  • ““Ela é tão livre que um dia será presa. ‘Presa por quê?’ ‘Por excesso de liberdade’. ‘Mas essa liberdade é inocente?’ ‘É’. ‘Até mesmo ingênua’. ‘Então por que a prisão?’ ‘Porque a liberdade ofende’.”
  • “Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”
  • “Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”
  • “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”
  • “Mas quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado.”
  • “O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.”
  • “Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
  • “Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.”
  • “Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas.”

Exemplos de questões sobre Clarice Lispector que já caíram no ENEM e outros vestibulares

Clarice Lispector é uma das autoras mais cobradas no Enem e nos vestibulares país afora. Separamos três exemplos de questões que já caíram nesses tipos de provas, para que você entenda a linha de raciocínio cobrada em cima da obra de Lispector:

Clarice Lispector no ENEM

(ENEM)Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

[…] Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes. Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.”

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

  1. a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. 
  2. b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
  3. c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
  4. d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
  5. e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Clarice Lispector no vestibular da UNICAMP

(UNICAMP) “Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara no seu coração as águas mais profundas? Mas era uma piedade de leão.”

(Clarice Lispector, “Amor”, em Laços de família. 20º ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1990, p. 39.)

Ao caracterizar a personagem Ana, a expressão “piedade de leão” reúne valores opostos, remetendo simultaneamente à compaixão e à ferocidade. É correto afirmar que, no conto “Amor”, essa formulação

  1. a) Revela um embate de natureza social, já que a pobreza do cego causa náuseas na personagem.
  2. b) Expressa o dilema cristão da alma pecadora diante de sua incapacidade de fazer o bem.
  3. c) Indica um conflito psicológico, uma vez que a personagem não se sente capaz de amar.
  4. d) Alude a um contraste moral e existencial que provoca na personagem um sentimento de angústia.

Clarice Lispector no vestibular da PUC-PR

(PUC-PR) Leia atentamente o trecho do conto “Felicidade Clandestina” de Clarice Lispector, e assinale a alternativa CORRETA.

“Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e puder em mim. Eu era uma rainha delicada.”

  1. O conto critica a falta de leitura dos adolescentes nas escolas brasileiras, tendo como principal razão a preguiça, o que evidencia nosso atraso cultural.
  2. Uma das marcas da escritora é sua capacidade de descrição de paisagens externas, que retratam da seca no Nordeste aos problemas sociais das grandes metrópoles.
  3. Pelo trecho em destaque, nota-se que a narradora em terceira pessoa investiga os reais motivos que a levaram a ser uma pessoa feliz, sendo os livros parte da construção deste sentimento.
  4. Prosadora da chamada primeira geração modernista, observa-se pelo texto da autora que esta opta por radicalizar no uso da oralidade, rompendo com a tradição realista, utilizando-se do chamado fluxo de consciência.
  5. O trecho analisado nos mostra características marcantes da escrita da autora, que com base em reflexões existenciais e da subjetividade, nos revela a intimidade dos seus personagens.

Estudando Clarice Lispector para ingressar na faculdade?

Clarice Lispector é daquelas autoras que estão no panteão da literatura brasileira. Logo, serve muitas vezes de base como leitura obrigatória para vestibulares ou como fonte de linhas de pesquisa para pós-graduações na área de comunicação.

Em ambos os casos, seja sua pretensão uma graduação ou uma especialização, você precisa dominar ao menos quem foi e a importância da figura de Clarice. Certamente te colocará alguns passos adiante na hora de qualquer processo seletivo. Mas lembre-se: antes de fazer sua escolha, a primeira informação que deve verificar é se a Instituição de Ensino (IES) tem a autorização do Ministério da Educação (MEC) para oferecer o curso pretendido. 

Essa é a garantia de que você vai obter um diploma de nível superior válido em todo o país. Fizemos uma seleção com faculdades reconhecidas e bem avaliadas pelo MEC que oferecem esses tipos de graduação e pós-graduação. Além de terem o selo de qualidade do órgão educacional mais importante do Brasil, todas elas contam com programas de descontos, bolsas e financiamentos facilitados. Confira:

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