Paulo Freire: carreira e o que pensava o educador brasileiro

Nomeado como patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire é considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. Mas você sabe quem foi esse educador e quais ideias defendidas por ele? Continue a leitura e descubra mais sobre Paulo Freire.

Encontre bolsas de estudo de até 80%

Quem foi Paulo Freire?

Paulo Freire (1921-1997) foi um educador e filósofo brasileiro reconhecido internacionalmente por sua metodologia de ensino, que coloca o aluno como protagonista do próprio aprendizado, influenciando o movimento chamado Pedagogia Crítica.

Nascido em 1921 em Recife, Paulo Freire pertencia a uma família de classe média. Entretanto, com o agravamento da crise econômica mundial de 1929, e a morte de seu pai enquanto ainda era adolescente, Freire enfrentou dificuldades financeiras.

Aos 22 anos de idade, ingressou na Faculdade de Direito de Recife, onde se formou. Contudo, não seguiu essa carreira, preferindo atuar na área da educação. Durante a faculdade, começou a dar aula na escola onde ele mesmo havia estudado, o Colégio Oswaldo Cruz.

Em 1963, Paulo Freire chefiou um programa de alfabetização de 300 pessoas em um mês, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. No ano seguinte, coordenava, em Brasília, o Plano Nacional de Alfabetização do então presidente João Goulart, mas foi surpreendido pelo golpe militar.

Paulo Freire passou 70 dias na prisão e, depois, exilou-se no Chile. Em 1968, durante o exílio, escreveu sua obra mais conhecida: Pedagogia do Oprimido. Chegou a dar aulas nos Estados Unidos e na Suíça, além de organizar planos de alfabetização em países da África.

Em 1979, com a anistia, retornou ao Brasil e à vida universitária e política. Filiando-se ao Partido dos Trabalhadores, foi nomeado secretário da Educação da cidade de São Paulo, cargo que exerceu de 1989 a 1991.

Paulo Freire casou-se duas vezes e teve cinco filhos. Recebeu diversas honrarias pelo mundo, e suas obras foram traduzidas para mais de 20 idiomas. Freire faleceu em 1995, aos 75 anos de idade.

O que Paulo Freire defendia? 

O pensamento pedagógico desenvolvido por Paulo Freire é assumidamente político. Contudo, para ele, o modelo educacional tradicional, que não forma alunos críticos, é também ideológico. 

Paulo Freire defende que o principal objetivo da educação é conscientizar o estudante, tornando-o mais crítico, sobretudo a respeito de suas próprias condições.

Ou seja, para ele a educação deve ser democrática e libertadora, pois uma vez que chega às parcelas mais desfavorecidas da população, deveria incentivá-las a reconhecer sua situação de oprimidas e a lutar pela sua própria libertação.

Para isso, Paulo Freire propõe um novo formato de sala de aula, que rompesse a metodologia tradicional de que o professor, tido como autoridade, e por isso posicionado de frente aos alunos, seria o único detentor do conhecimento e que se sua função é repassá-lo, de forma especial àqueles alunos quietos e passivos.

paulo freirePaulo Freire qualifica esse formato como alienante, pois não desenvolve a criticidade dos alunos e reprime sua curiosidade e criatividade, além de não ser menos ideologizada do que a metodologia por ele sugerida.

“Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade”, escreveu Paulo Freire sobre a metodologia de ensino adotada pela maioria das escolas brasileiras.

Para Paulo Freire, o formato tradicional busca acomodar os estudantes ao mundo, enquanto a educação proposta por ele tem a intenção de inquieta-los, para que então pudessem transformar e melhorar a sociedade.

Leia também: O que faz um pedagogo?

Metodologia de ensino proposta por Paulo Freire

Paulo Freire desenvolveu suas ideias pedagógicas a partir da observação da cultura dos alunos, especialmente o uso da linguagem, mas também do papel elitista das escolas.

Ele era crítico à ideia de que ensinar era apenas transmitir conhecimento. Para ele, o papel do professor era não só possibilitar a produção de conhecimentos, facilitando condições para o auto-aprendizado dos alunos, mas também de incentivar a formação de estudantes críticos e conscientes de suas condições.

Paulo Freire defendia a tese de que a educação deve valorizar a cultura do aluno, reconhecendo que, estando alfabetizado ou não, o aluno leva à escola uma cultura própria, que não é pior nem melhor que a do professor e, portanto, há um aprendizado mútuo.

Para ele, tanto ninguém ensina nada a ninguém quanto as pessoas não aprendem sozinhas. Contudo, aprendem juntas, por meio de relações afetivas e democráticas e da possibilidade de se expressarem.

Formulado inicialmente para a alfabetização de adultos, a metodologia de Paulo Freire tem na valorização da cultura do aluno, principalmente na linguagem, a chave para o processo de conscientização proposto pelo educador.

Basicamente, propõe identificar e catalogar as palavras-chave do vocabulário dos alunos, as quais ele chamava de palavras geradoras. Elas são comuns à realidade do estudante, fazendo parte de sua rotina, e por isso são fundamentais no processo de ensino-aprendizagem.

Exemplo de uma palavra geradora é “tijolo” para os operários da construção civil. Palavra comum no dia a dia desses profissionais.

Após a identificação das palavras geradoras, o professor a mostra lado a lado à sua representação visual, criando assim associações. Essa técnica é adotada com sucesso em programas de alfabetização de diversos países.

Dica de leitura: Saiba tudo sobre a área de Pedagogia

Quais as principais obras de Paulo Freire?

Entre as publicações de Paulo Freire, nas quais se incluem publicações em vida e póstumas, cartas, entrevistas, artigos e outros formatos, somam-se cerca de quarenta livros publicados.

Contudo, apesar da grande quantidade de obras, as mais importantes são as seguintes:

  • Pedagogia do Oprimido: é o principal livro de Paulo Freire. Foi escrito durante o início de seu exílio no Chile, e propõe uma revisão da relação entre educadores e alunos, focando no diálogo entre eles. Para Freire, a educação dialógica é a chave para a educação libertadora das massas.
  • Educação como prática da liberdade: livro também escrito no exílio, após o término de Pedagogia do Oprimido. Nessa obra, Paulo Freire faz uma autocrítica de sua atuação, e propõe uma educação que possa acabar com a exclusão social, relacionando educação, conscientização e inclusão.
  • Cartas à Guiné-Bissau: após a independência de Guiné-Bissau, Paulo Freire atuou no projeto de alfabetização popular promovido pelo país, período no qual escreveu o conjunto de cartas que compõem essa obra. Em seus escritos, Freire aponta, de modo reflexivo, a potência e paixão de um povo recém-independente, além da aproximação das realidades sociais africana e brasileira.
  • Pedagogia da autonomia: Paulo Freire apresenta, neste livro, um conjunto de práticas e conhecimentos indispensáveis a qualquer educador. Já em seu primeiro capítulo, defende o respeito à individualidade do aluno, e de que não existe professor sem o aluno. Freire também reconhece a importante relação entre teoria e prática, que deve ser primordial e indissolúvel.

No episódio abaixo do podcast Narradores do Brasil, é possível conhecer um pouco da obra de Paulo Freire, com participação do sociólogo Lutgardes Freire, filho do educador:

Prêmios que Paulo Freire recebeu

Paulo Freire é reconhecido mundialmente, e recebeu diversos prêmios e homenagens pelo mundo, sendo o brasileiro mais homenageado da história.

Foram cerca de 30 títulos de Doutor Honoris Causa, título mais importante concedido por uma universidade, concedido a personalidades que tenham se destacado por sua contribuição à cultura, à educação ou à humanidade de forma geral. Freire também recebeu títulos concedidos depois de sua morte.

Além dos títulos de Doutor Honoris Causa, Paulo Freire também recebeu os seguintes reconhecimentos:

  • King Baudouin International Development Prize, em 1980, entregue pela Fundação King Baudouin. Paulo Freire foi a primeira pessoa a receber o prêmio;
  • Prêmio William Rainey Harper, da Religious Education Association (Associação de Educação Religiosa), em 1983;
  • Prêmio de Educação para a Paz, da UNESCO, em 1986;
  • Incluído no Salão da Fama da Educação de Adultos e Continuada 2008;
  • Incluído no Reading Hall of Fame (Salão da Fama da Leitura);
  • Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, em 2011;
  • Nome dado a uma escola pública independente de Chicopee, Massachusetts: a Paulo Freire Social Justice Charter School

Instituto Paulo Freire

Fundado oficialmente em 1992, o Instituto Paulo Freire surgiu a partir das ideias do educador em reunir instituições para implementar ações voltadas à educação, de forma a utilizá-la como ferramenta de inclusão social e redução da desigualdade social e econômica.

O Instituto Paulo Freire atua oferecendo consultorias e elaborando projetos de educação para jovens e adultos, além da criação e implementação de projetos políticos pedagógicos. Também promove cursos de formação para alfabetizadores e educadores em geral.

Frases famosas de Paulo Freire

  • “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele.”
  • “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”
  • “Não existe docência sem discência.”
  • “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”
  • “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo.”
  • “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.”
  • “O educador se eterniza em cada ser que educa.”
  • “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.” 
  • “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.”

Faculdades reconhecidas pelo MEC

Paulo Freire defende a democratização da educação e o acesso para todas as pessoas. Pensando nisso, listamos algumas faculdades reconhecidas pelo MEC e que oferecem diversidade de cursos com bolsas e descontos, tornando a graduação mais acessível:

Veja também: A educação é a arma para mudar o mundo

E você, concorda com Paulo Freire de que “a educação deve ser libertadora”? Explique pra gente aqui nos comentários.

Compartilhar
Facebook Twitter Google Linkedin